O presidente da Tesla, Elon Musk, transformou sua rede social X em um grande problema corporativo em 2026. Suas publicações recentes passaram de simples provocações para o apoio aberto ao nacionalismo branco. Além disso, sua empresa de inteligência artificial processou o estado de Minnesota, nos Estados Unidos, para barrar uma lei contra imagens íntimas falsas geradas por computador sem consentimento.
Em uma empresa comum, o conselho de administração já teria demitido o presidente por uma pequena parte do que Musk tem publicado. A Tesla, no entanto, opera de forma diferente. Os acionistas entregaram o controle total ao empresário e agora precisam lidar com as consequências.
Grande parte dessa escalada recente começou após uma entrevista no dia 23 de julho. A editora-chefe da revista The Economist, Zanny Minton Beddoes, conversou de forma tranquila com o bilionário e contestou suas falas sobre a Europa. Ela destacou que Londres é muito mais segura do que qualquer cidade americana e que Musk tem falado mal do local sem visitá-lo há anos.
Durante a conversa, Musk admitiu que passou dos limites. Ele confessou que se envolveu demais com política e se deixou levar. Executivos da Tesla já haviam reconhecido anteriormente que esse sentimento político estava prejudicando a marca.
Quando a jornalista apontou que muitas pessoas o detestam, ele demonstrou não se importar. Musk argumentou que é amado porque tem 250 milhões de seguidores no X. Contudo, estudos independentes mostram que a maioria dessas contas pertence a robôs ou usuários inativos.
As contradições de Musk chegam aos seus próprios produtos. Ele publicou recentemente que Adolf Hitler era socialista, uma postagem que alcançou 111 milhões de visualizações. Porém, o assistente virtual Grok, criado pela própria empresa de Musk, desmentiu o chefe na plataforma. O sistema explicou que o partido nazista apenas usava o termo como propaganda e perseguia socialistas reais.
O empresário também passou meses atacando o diretor de cinema Christopher Nolan. O motivo foi um boato sobre a escalação de uma atriz negra para uma adaptação do clássico A Odisseia. Musk chamou o diretor de racista e prometeu que sua inteligência artificial criará um filme completo e historicamente preciso sobre a obra. Especialistas apontam que A Odisseia é um mito cheio de monstros, sem qualquer base histórica, o que evidencia um viés racial na crítica.
A postura política de Musk deixou de ser sutil. Dois dias após a entrevista, ele apoiou publicações que defendiam a deportação em massa de imigrantes baseada em etnia. No mesmo dia, ele defendeu uma mulher condenada por ofensas raciais contra uma criança autista de oito anos em um parquinho infantil.
Os ataques também atingiram o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Musk chegou a comparar o político, que é muçulmano, aos terroristas do 11 de setembro. Em outra ocasião, ele apoiou um executivo de tecnologia que sugeriu dar mais peso aos votos de pessoas ricas nas eleições, uma ideia claramente antidemocrática.
O episódio judicial mais recente ocorreu no dia 28 de julho. A empresa de inteligência artificial de Musk entrou na justiça para tentar bloquear a lei 1606 em Minnesota. A legislação entrou em vigor no dia 1 de agosto e prevê multas de 500 mil dólares por imagem íntima falsa gerada sem autorização.
A empresa argumenta que a lei é ampla demais e viola a liberdade de expressão. Os criadores do projeto, por outro lado, alertam que as vítimas dessas imagens são predominantemente mulheres e crianças. Curiosamente, a mãe de um dos filhos de Musk processou a mesma empresa semanas atrás pelo uso indevido de sua imagem no assistente virtual.
Apesar de ter dito na entrevista que iria recuar, as atitudes do bilionário mostram o contrário. Relatos recentes indicam que ele está financiando um grupo político para estimular votos em republicanos nas eleições de novembro. Ele já gastou mais de 260 milhões de dólares em 2024 com esse grupo. O cenário atual indica que a escalada de polêmicas não está no fim, mas apenas no aquecimento.

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