As mudanças do governo Trump nas políticas de energia limpa já custaram quase 470.000 empregos aos Estados Unidos. Além disso, o país perdeu 68 bilhões de dólares em investimentos privados. Esses dados impressionantes fazem parte de um novo relatório divulgado hoje e mostram um forte impacto na economia, incluindo o setor automotivo.
O mercado americano de energias renováveis cresce mais rápido que o de combustíveis fósseis. Mas o estudo mostra que esse avanço seria ainda maior sem as barreiras federais atuais. A pesquisa foi feita pelo grupo empresarial E2 com dados da BW Research. Eles avaliaram 216 grandes projetos de energia e de fábricas que foram cancelados, fechados ou reduzidos desde o mês de janeiro de 2025.
Se essas obras tivessem saído do papel, elas teriam injetado mais de 90 bilhões de dólares na economia do país durante a construção. Depois de prontas, gerariam mais 55 bilhões de dólares por ano. O governo federal e os estados também deixam de arrecadar quase 20 bilhões de dólares em impostos apenas na fase inicial.
O setor de transporte é um dos mais afetados pelas medidas. Os projetos de veículos elétricos perderam quase 28.000 vagas na fase de construção. Pensando no longo prazo, a fabricação de veículos elétricos representa a maior queda de todas. São quase 255.000 postos de trabalho permanentes que não vão mais existir nas montadoras.
A infraestrutura necessária para o futuro automotivo também sofreu muito. As fábricas de baterias deixaram de gerar quase 64.000 empregos fixos e perderam mais 42.000 vagas de construção. Já os projetos de energia solar perderam quase 19.000 vagas definitivas e quase 33.000 postos temporários.
O impacto vai além dos empregos perdidos. A pesquisa aponta perdas de 53 bilhões de dólares em salários na construção e mais 31 bilhões de dólares em pagamentos anuais após a abertura das empresas.
Bob Keefe é o diretor executivo do E2. Ele explica que dificultar os projetos de energia limpa significa perder vagas, dinheiro e fornecimento de luz. Ele afirma que essas ações do governo custam muito caro para os consumidores, para as empresas e para o país de forma geral.
Tudo isso acontece em um momento crítico, pois o consumo de eletricidade está disparando. Novos centros de dados, o avanço da eletrificação e a abertura de novas fábricas exigem muita energia.
Mesmo com essa alta demanda, os projetos cancelados faziam muita diferença. O país perdeu 10 gigawatts de energia solar, 3,75 gigawatts de energia eólica e 9 gigawatts em capacidade de baterias. Isso seria suficiente para abastecer cerca de três milhões de casas, o equivalente a todos os lares do estado de Massachusetts.
A crise atinge muito mais do que as empresas diretamente envolvidas. Michael Timberlake, diretor de pesquisa do E2, diz que cada fábrica cancelada significa menos trabalhadores atuando nas obras. Isso também resulta em menos encomendas para os fornecedores locais e menos dinheiro circulando nas cidades. No fim das contas, sobra menos verba pública para sustentar escolas, bombeiros, rodovias e serviços essenciais.

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