Chinesa Li Auto cria empresa de chips

A fabricante de carros chinesa Li Auto abriu uma nova empresa voltada para a área de tecnologia e semicondutores. Registrada com o nome de Xinchuang Zhixin, a nova marca tem como foco o desenho, o desenvolvimento e a venda de circuitos integrados. A iniciativa indica que a montadora tem planos para vender suas peças para clientes externos no futuro.


A nova companhia pertence totalmente à Li Auto e é controlada pelo presidente executivo da empresa, Li Xiang. O capital inicial registrado no sistema chinês foi de 14.760 dólares, o equivalente a cerca de 75.000 reais.

Embora o papel exato da marca não tenha sido divulgado oficialmente, as informações de registro sugerem que ela será a base principal para os negócios de tecnologia da montadora.

Especialistas da indústria apontam que todo o programa de processadores da montadora será agrupado sob essa nova empresa. Isso inclui o desenvolvimento completo da linha de peças conhecida como Mach M100.

O chip Mach M100, que foi desenvolvido pela própria Li Auto, já está sendo produzido em massa. Atualmente, ele é utilizado em três veículos da marca, os modelos L9, L8 e L6.

A peça foi criada com um processo de fabricação avançado para uso automotivo e entrega uma alta capacidade de processamento de dados. A montadora afirma que esse é o primeiro processador do mundo focado em fluxo dinâmico de informações de inteligência artificial, oferecendo uma eficiência de 82%.

Esse componente foi desenhado para funções que exigem muito do sistema. Os principais exemplos são os sistemas de direção inteligente e os grandes modelos de inteligência artificial.

Além da peça em si, o escopo de vendas da nova empresa é o que mais chama a atenção do mercado.

Em uma entrevista realizada no mês de junho, o diretor de tecnologia da empresa, Xie Yan, afirmou que não descarta a venda das peças da marca para clientes externos.

Segundo o diretor, o segredo para comercializar esses processadores é estabelecer um conjunto maduro de ferramentas de sistema. Quando isso acontecer, abrir a tecnologia para o mercado será um passo natural.

Ele acrescentou ainda que várias empresas de robótica já procuraram a Li Auto interessadas em adotar os processadores da marca.

O movimento não é isolado. As principais fabricantes chinesas de veículos elétricos começaram a operar negócios de semicondutores de forma independente.

A concorrente NIO criou recentemente uma companhia para supervisionar a criação e venda de seus chips. O processador da marca já começou a ser licenciado para outras empresas do setor.

A XPeng também teve sucesso com o seu chip de inteligência artificial. A peça foi escolhida para projetos da fabricante Volkswagen, marcando a entrada da empresa no fornecimento para clientes externos.

O presidente da Li Auto respondeu às dúvidas do mercado de que o desenvolvimento próprio seria apenas uma tendência cara da indústria.

Ele defende que a estratégia não serve apenas para exibir capacidade técnica. O objetivo real é resolver problemas de lentidão na computação que os fornecedores atuais não conseguem solucionar, integrando melhor a parte física e o sistema digital.

Na visão do executivo, a competição futura na área de inteligência artificial não será definida por uma única tecnologia isolada. O que vai importar é a capacidade de otimizar todo o conjunto de sistemas do carro.

Com o avanço de funções como a direção inteligente e a robótica, a procura por processadores automotivos de alta capacidade está crescendo rapidamente.

Para a Li Auto, a criação de uma empresa independente mostra que o seu negócio de tecnologia está evoluindo. O objetivo agora vai além de apoiar os próprios carros, buscando uma expansão comercial muito maior em toda a indústria.

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