A marca Aistaland, controlada pela Huawei e pela GAC, lançou o veículo elétrico GT7 na China no dia 26 de junho. Durante o evento, a empresa destacou a estabilidade do carro e afirmou que o modelo passou no famoso teste do alce a 94 quilômetros por hora. No entanto, essas alegações estão sendo investigadas devido a suspeitas de manipulação dos resultados.
O teste do alce é uma manobra de evasão padronizada internacionalmente para avaliar a estabilidade, a suspensão e a segurança geral de um veículo em situações extremas de emergência. Ele simula um cenário em que o motorista precisa desviar de um obstáculo que surge de forma repentina no meio da estrada, como um animal de grande porte, um pedestre ou destroços.
A acusação aponta que o carro entrou na área de teste em alta velocidade e usou o próprio sistema do motor e dos freios para perder velocidade antes de começar a mudança de faixa. A marca afirmou que seguia a norma internacional de segurança, que define as regras exatas e o espaço para a manobra dupla.
Jornalistas, especialistas do setor e o público estão questionando a validade do recorde divulgado pela montadora.
A regra oficial exige que o veículo entre na primeira zona em uma velocidade fixa. Além disso, o motorista é proibido de acelerar ou frear depois da entrada. O carro precisa completar duas mudanças bruscas de faixa sem tocar nos cones da pista.
No início da prova, a empresa informou que a frenagem automática de recuperação de energia do modelo estava ativada. O carro entrou na primeira área a 94 quilômetros por hora e perdeu velocidade para 76 quilômetros por hora antes de fazer a primeira curva. Ao terminar a segunda mudança de faixa, a velocidade caiu para 49 quilômetros por hora.
A empresa considerou o teste um sucesso e chamou o veículo elétrico de novo rei do teste do alce. Como a norma proíbe apenas que o piloto freie de forma manual durante as manobras, a frenagem acaba sendo permitida se for feita de maneira automática pelo próprio veículo. Isso ocorre, por exemplo, quando o sistema de estabilidade atua sozinho para manter o carro seguro.
Como o piloto não pisou no freio com o pé, a marca pode argumentar que cumpriu a regra. Toda a redução de velocidade foi feita pelo próprio sistema eletrônico do carro durante as retas e curvas.
Com o aumento da potência dos novos veículos elétricos, a força de frenagem automática também aumenta. O GT7 testado conta com três motores, o que torna esse sistema de parada muito eficiente. É possível argumentar que isso imita situações reais em que o carro perde velocidade sozinho antes mesmo da reação do motorista a um obstáculo.
O problema é que essa configuração dificulta a avaliação justa do modelo em comparação com outros carros. Modelos tradicionais a combustão não freiam de forma automática dessa maneira. Além disso, a força desse sistema varia muito entre os diferentes veículos elétricos. Os fabricantes poderiam simplesmente aumentar a força do freio automático de fábrica para atingir velocidades de entrada maiores nos testes.
Existe também muita desconfiança sobre quem certificou o teste. A prova foi feita por uma agência parceira ligada a um centro de pesquisa estatal do país. O problema é que essa organização atua principalmente nas áreas de publicidade e relações públicas, o que levanta dúvidas se eles possuem competência técnica e autorização para emitir laudos automotivos.
Por fim, há preocupações com a montagem física do espaço do teste. Uma comparação direta com a avaliação de um veículo elétrico concorrente mostrou que a zona de cones do GT7 foi movida, dando mais espaço para o carro concluir a primeira manobra. Esse espaço extra ajuda o modelo a entrar na pista em velocidades mais altas. Até o momento, as empresas envolvidas não responderam a essas acusações.

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