Tesla é alvo de ação coletiva por falha de aquecimento

Motoristas da província de Quebec, no Canadá, entraram com uma ação coletiva contra a Tesla após relatos de falhas recorrentes no sistema de aquecimento de veículos elétricos da marca durante o inverno rigoroso da região. O processo pode custar até €341 milhões à fabricante norte-americana e amplia a pressão judicial enfrentada pela empresa em diferentes mercados.


A ação foi protocolada na Corte Superior de Quebec pelo escritório Perrier Avocats e busca representar consumidores que compraram ou alugaram veículos da Tesla equipados com bomba de calor. Segundo os autores, os defeitos comprometem a segurança dos ocupantes em temperaturas extremas, comuns na região canadense.

O caso principal envolve a consumidora Amélie Paquette, que adquiriu um Tesla Model 3 2021 em dezembro de 2020 na concessionária da marca em Laval, no Canadá. Ela pagou €45.140 pelo veículo elétrico e, de acordo com o processo, os problemas começaram logo após a entrega. Em apenas um mês de uso, técnicos precisaram substituir três sensores da bomba de calor.

Nos anos seguintes, o sistema de aquecimento apresentou novas falhas. Ainda no primeiro ano, técnicos identificaram resíduos no mecanismo do ventilador. Pouco tempo depois, a perda total do aquecimento da cabine obrigou a substituição do compressor, do coletor principal e das linhas de fluido, tudo coberto pela garantia.

O problema mais grave ocorreu em 27 de janeiro de 2026. Durante o pré-aquecimento da cabine, fumaça e um forte cheiro químico tomaram o interior do veículo.

Na ocasião, a garantia de 80.000 km já havia expirado e o carro registrava 158.220 km rodados. A Tesla se recusou a assumir os custos do reparo ou dividir a despesa com a cliente, que precisou pagar €3.821,18 pelo conserto.

Após a negativa formal da montadora em 17 de março de 2026, Amélie decidiu recorrer à Justiça. A ação coletiva inclui modelos Tesla Model Y 2020 em diante, Model 3 2021 em diante, Model S 2021 em diante, Model X 2021 em diante e também a Cybertruck 2023 em diante.

Os advogados afirmam que os sistemas de climatização apresentam um “defeito oculto”, violando o Código Civil de Quebec e a legislação local de proteção ao consumidor. Segundo o processo, veículos desse nível de preço e qualidade deveriam funcionar sem grandes reparos por pelo menos 10 anos ou 200.000 km.

A acusação também sustenta que a Tesla tinha conhecimento das falhas nos componentes, mas não alertou os consumidores antes da conclusão das vendas.

As temperaturas em Quebec frequentemente ficam abaixo de -20°C durante o inverno. Nesse cenário, o aquecimento interno deixa de ser apenas um item de conforto e passa a ser um recurso essencial de segurança.

A Tesla abandonou os aquecedores cerâmicos tradicionais para adotar bombas de calor mais complexas, com o objetivo de ampliar a autonomia dos veículos elétricos. Esses sistemas trabalham integrados ao gerenciamento térmico da bateria principal.

Por conta dessa integração, proprietários não conseguem realizar reparos em oficinas independentes e precisam recorrer aos centros oficiais da marca. Os custos fora da garantia variam entre €3.200 e €4.000.

As reclamações relacionadas ao aquecimento começaram em 2021 e se intensificaram no inverno de 2022, quando diversos sistemas deixaram de funcionar em temperaturas inferiores a -10°C.

Na época, o CEO da Tesla, Elon Musk, afirmou que uma atualização de software resolveria o problema por meio da recalibração de uma válvula. No entanto, técnicos da própria empresa reconheceram posteriormente uma falha física no hardware.

Segundo os relatos, o acúmulo de gelo bloqueia componentes internos, aprisiona o fluido refrigerante e impede o funcionamento do compressor.

A gravidade do defeito levou a Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos Estados Unidos a determinar um recall de segurança, já que a falha comprometia o desembaçamento do para-brisa. A Transport Canada também abriu investigação oficial após receber mais de 170 reclamações sobre o problema.

Além desse novo processo, a Tesla já enfrenta outras ações coletivas em Quebec envolvendo desgaste prematuro da pintura e mudanças em assinaturas do serviço Premium Connectivity.

Globalmente, a montadora responde a processos que somam até €12,38 bilhões em diferentes países. Especialistas avaliam que as rígidas leis de proteção ao consumidor em Quebec podem transformar o caso em um dos maiores desafios judiciais recentes para a fabricante de veículos elétricos.

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