China endurece regras para carros elétricos

A China dará um passo importante para aumentar a segurança dos carros elétricos. A partir de 1º de julho de 2026, entram em vigor duas novas normas nacionais obrigatórias que estabelecem exigências mais rígidas para veículos e baterias. A medida busca proteger consumidores e equipes de resgate em um mercado que já soma cerca de 44 milhões de veículos eletrificados em circulação.


As novas regras serão fiscalizadas por órgãos governamentais chineses, incluindo o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação e a Administração Estatal para Regulação do Mercado. Segundo as autoridades, o crescimento acelerado da frota tornou insuficientes as diretrizes voluntárias adotadas até agora.

A expansão do mercado reforça a necessidade de padrões mais modernos de segurança. Dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis mostram que a produção e as vendas voltaram a crescer com força em maio de 2026. Somente naquele mês, as montadoras chinesas produziram 1,554 milhão de veículos de nova energia e venderam 1,496 milhão de unidades.

Uma das principais mudanças está na nova norma GB18384-2025, que passa a exigir um sistema físico de desligamento de energia por um único toque dentro da cabine. Até então, muitas fabricantes dependiam de sistemas eletrônicos para interromper os circuitos de alta tensão em situações de emergência.

Com a nova exigência, motoristas e socorristas poderão desligar manualmente o sistema principal de armazenamento de energia com apenas um movimento. A expectativa é que a medida facilite operações de resgate e aumente a segurança após acidentes.

Outra atualização importante vem da norma GB38031-2025, que eleva significativamente os requisitos de segurança das baterias. O principal foco está no chamado descontrole térmico, fenômeno que ocorre quando uma célula da bateria superaquece e desencadeia uma reação em cadeia.

Pelas regras anteriores, as baterias precisavam emitir um alerta pelo menos cinco minutos antes de um incêndio ou explosão. Agora, a exigência é muito mais rigorosa: a bateria não poderá apresentar incêndio nem explosão. O sistema continuará obrigado a alertar o motorista sobre qualquer risco, mas a estrutura física deverá impedir que o fogo aconteça e garantir que a fumaça não coloque os ocupantes em perigo.

As novas normas também criam testes mais severos para simular situações reais de uso. Entre eles está um ensaio de impacto na parte inferior do veículo, que avalia a resistência da bateria contra colisões com objetos na pista, como detritos encontrados em rodovias.

O objetivo é garantir que a proteção externa da bateria impeça perfurações e danos às células internas. Além disso, os fabricantes terão de comprovar a segurança do conjunto após 300 ciclos de recarga rápida. Depois desse processo, a bateria deverá resistir a testes de curto-circuito externo sem pegar fogo ou explodir.

Especialistas acreditam que as novas exigências poderão transformar o mercado chinês. Como todas as empresas terão de cumprir padrões rigorosos, fabricantes que dependem de componentes de baixa qualidade e preços reduzidos para competir poderão enfrentar dificuldades.

A expectativa é que as regras reduzam a concorrência baseada em produtos menos seguros e fortaleçam a confiança dos consumidores. Segundo Han Guangshuai, pesquisador da Universidade Tongji, padrões mais claros também ajudarão o setor de seguros ao fornecer dados mais consistentes para avaliação de riscos, especialmente no mercado de veículos elétricos usados.

As principais fabricantes de baterias e veículos já se anteciparam às mudanças. A CATL, maior produtora mundial de baterias para carros elétricos, informou que toda a sua linha de produtos para veículos de passeio e comerciais foi aprovada nos testes nacionais ainda em maio de 2025.

A BYD também confirmou que sua bateria Blade de segunda geração atendeu às novas exigências e superou os níveis mínimos exigidos pela legislação. O movimento indica que as maiores empresas do setor já vinham se preparando para a transição.

Para Wu Kai, cientista da CATL e integrante da Academia Chinesa de Engenharia, a implementação das novas regras poderá mudar completamente os padrões de segurança do setor. Segundo ele, a taxa de combustão espontânea dos veículos elétricos chineses deverá cair para um nível muito inferior ao registrado atualmente nos automóveis movidos a gasolina.

O governo chinês continua trabalhando em novas medidas de segurança. Recentemente, foi publicada a norma GB47497-2026, que estabelece requisitos para detectores de incêndio em veículos, ampliando a capacidade de alerta precoce em casos de superaquecimento das baterias.

Apesar dos benefícios esperados para a segurança e a confiança do consumidor, especialistas avaliam que as novas exigências poderão aumentar os custos de produção. Com testes mais rigorosos e baterias mais resistentes, parte dessas despesas poderá ser repassada aos consumidores, influenciando os preços dos veículos elétricos lançados após julho de 2026.

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