A Rivian estuda produzir seus próprios sensores LiDAR nos Estados Unidos, possivelmente com apoio de empresas chinesas. A estratégia faz parte de uma ofensiva mais ampla da fabricante para controlar quase toda a sua pilha de direção autônoma, do hardware ao software.
Segundo a Reuters, o diretor executivo RJ Scaringe confirmou que a empresa está em “conversas ativas” com fornecedores de LiDAR para fabricar os sensores em solo americano, em vez de comprá-los diretamente da China. A ideia é reduzir riscos de cadeia de suprimentos e ao mesmo tempo evitar pressões políticas ligadas à origem dos componentes.
Hoje, empresas chinesas como Hesai Group e RoboSense dominam o mercado de LiDAR compacto e mais acessível. O problema, segundo o texto, é que a compra direta desses fornecedores levanta preocupações de segurança nacional nos Estados Unidos. A saída que a Rivian avalia seria usar tecnologia chinesa em uma estrutura de produção americana, talvez por meio de uma joint venture.
A movimentação pode ir além da própria Rivian. Scaringe indicou que outras montadoras também consideram capacidade compartilhada de produção fora da China, o que abre espaço para um possível consórcio de fabricação doméstica de LiDAR.
Essa ofensiva reforça a ambição da Rivian em direção autônoma. Nos últimos 6 meses, a empresa reuniu internamente praticamente todos os elementos do sistema, incluindo chip próprio, software de inteligência artificial e sensores. No evento AI & Autonomy Day, em dezembro de 2025, a marca apresentou o processador RAP1, feito em 5 nm e capaz de entregar 1.600 trilhões de operações por segundo.
A plataforma Gen 3 de autonomia da Rivian traz 11 câmeras, 5 radares e 1 sensor LiDAR. A empresa afirma que o modelo de inteligência grande usado no sistema foi treinado para evoluir até o nível quatro de direção autônoma. Se a produção de sensores também for internalizada, a Rivian passará a controlar quase todo o conjunto tecnológico do sistema.
A validação mais forte dessa estratégia veio em março de 2026, quando a Uber anunciou parceria para implantar até 50.000 robotáxis Rivian R2 em 25 cidades dos Estados Unidos, do Canadá e da Europa. O contrato prevê investimento de até US$ 1,25 bilhão, com desembolso inicial de US$ 300 milhões e metas de desempenho até 2031. Os primeiros carros devem chegar a San Francisco e Miami em 2028.
O que chama atenção nessa parceria é a ausência de um fornecedor externo de software de autonomia. A Rivian quer fazer tudo internamente, dos chips aos sensores, passando pelo software e pela plataforma do veículo. É uma abordagem rara em um setor onde a maioria das operações de robotáxi depende de empresas especializadas.
A proposta da Rivian lembra o caminho da Tesla, que desenvolveu chips próprios para seu sistema FSD, mas com uma diferença importante. A empresa de Scaringe aposta em LiDAR e radares, enquanto a Tesla rejeita esse tipo de sensor e trabalha apenas com câmeras.
O cronograma também é agressivo. A Rivian quer liberar direção sem as mãos ainda este ano, avançar para uso sem os olhos na estrada em 2026 e chegar à direção autônoma de nível quatro com a operação da Uber em 2028. Em um mercado tão competitivo, é um prazo curto para uma meta tão ambiciosa.

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