A Ford negocia um acordo avançado com a Geely para utilizar parte de sua fábrica em Valência, na Espanha, na produção de carros elétricos chineses. A parceria pode transformar a operação da montadora americana na Europa e ainda abrir espaço para futuros modelos da Ford baseados em tecnologia da Geely.
Segundo o jornal espanhol La Tribuna de Automoción, a Geely quer assumir as linhas de montagem conhecidas como “Body 3”, responsáveis pela estrutura principal dos veículos. Internamente, o projeto recebe o codinome “135”. Apesar de o acordo ainda não ter sido oficializado, a fabricante chinesa já iniciou conversas com fornecedores locais, indicando forte interesse em ocupar a planta espanhola.
O principal modelo planejado para produção em Valência seria o EX2, um hatch elétrico compacto que liderou as vendas na China no ano passado. Para o mercado europeu, o carro deve adotar o nome E2. A proposta do veículo é oferecer um modelo elétrico acessível para consumidores que buscam preços mais baixos no segmento.
O carro utiliza a plataforma GEA, sigla para Arquitetura Elétrica Inteligente Global. A base permite produzir híbridos, híbridos plug-in e veículos totalmente elétricos sobre a mesma estrutura.
Um dos pontos mais importantes da negociação é que a própria Ford pode usar a plataforma da Geely para lançar veículos com sua marca. O desenvolvimento de uma plataforma inédita custa bilhões de dólares e leva anos. Ao aproveitar a arquitetura chinesa, a Ford conseguiria acelerar projetos e reduzir custos de desenvolvimento.
A estratégia segue o caminho que a montadora já adotou na Europa. Os modelos Ford Explorer elétrico e Capri utilizam a plataforma MEB da Volkswagen. Além disso, a empresa também firmou parceria com a Renault para produção de dois carros elétricos compactos.
A pressão das marcas chinesas é um dos principais motivos para essa mudança de estratégia. O diretor executivo Jim Farley já declarou que a Ford enfrenta uma “luta pela sobrevivência” diante do avanço de empresas como a BYD, que oferecem veículos elétricos modernos com preços mais baixos.
Para a Geely, produzir na Espanha também tem vantagens importantes. A União Europeia aplicou em 2024 uma tarifa de 18,8% sobre veículos importados da China. Com fabricação local em Valência, a empresa evita o imposto e torna seus carros mais competitivos no mercado europeu.
As conversas entre as empresas ainda incluem compartilhamento de tecnologias inteligentes, como direção automatizada e sistemas avançados de assistência ao motorista. A troca de software e desenvolvimento pode reduzir custos para os dois lados.
Mesmo buscando alianças, a Ford segue trabalhando em projetos próprios. A montadora desenvolve uma nova plataforma chamada “Universal EV”, voltada para carros elétricos compactos e acessíveis. A venda ou compartilhamento de áreas subutilizadas da fábrica de Valência ajudaria a financiar essa nova geração de veículos.

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