Ford abre centro para acelerar desenvolvimento de carros elétricos

A Ford inaugurou em Long Beach, na Califórnia, um novo centro de desenvolvimento voltado a veículos elétricos, criado para acelerar projetos e reduzir o tempo entre o desenho e a produção. A aposta da marca é usar o espaço para tirar do papel a Plataforma Universal para Veículos Elétricos, que deve estrear em uma picape média de cerca de US$ 30.000 em 2027.


Batizado de Centro de Desenvolvimento de Veículos Elétricos, o complexo reúne design, engenharia, prototipagem, baterias, eletrônica e testes sob o mesmo teto. A ideia é aproximar equipes e encurtar etapas, seguindo uma lógica mais parecida com a de empresas novas do que com o modelo tradicional da indústria automotiva.

A estrutura ocupa dois prédios próximos ao aeroporto de Long Beach e foi montada com profissionais vindos da própria Ford e de startups de veículos elétricos. Entre os nomes citados está Alan Clarke, que passou 12 anos na Tesla, além de ex-funcionários de outras empresas do setor.

Durante a visita, a Ford mostrou áreas de simulação em realidade virtual, laboratórios de baterias, bancadas de componentes eletrônicos, impressoras tridimensionais e até uma fresadora de grande porte. A companhia também destacou o uso de baterias de fosfato de ferro-lítio, mais baratas que as de níquel, manganês e cobalto, além da arquitetura zonal e de uma rede elétrica de 48 volts para simplificar o chicote elétrico.

O discurso da empresa é de agilidade e redução de peças. A Ford repete a ideia de que “a melhor peça é nenhuma peça”, tentando cortar custos, simplificar reparos e acelerar a produção. No centro dessa estratégia está a tentativa de reinventar a forma como um veículo elétrico é projetado e montado.


O movimento, porém, acontece em um momento contraditório. Nos últimos meses, a Ford cancelou ou reduziu vários programas de veículos elétricos, trocou o nome de sua fábrica no Tennessee e registrou uma baixa contábil de US$ 19,5 bilhões em ativos ligados à eletrificação. Ao mesmo tempo, a empresa segue pressionando governos e mercados para conter o avanço de concorrentes chineses.

A própria Ford admite que precisa correr atrás. O CEO Jim Farley já disse ter ficado impressionado, e até “humilhado”, ao ver o avanço da indústria chinesa. Enquanto isso, a montadora tenta mostrar que o novo centro pode ser a base de um ciclo mais rápido de desenvolvimento, capaz de recolocar a marca na disputa global dos elétricos.

Se der certo, o projeto pode virar um divisor de águas. Se não, será mais uma tentativa de correr atrás do tempo perdido em um mercado em que a China já dita o ritmo.

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