O diretor executivo da Tesla, Elon Musk, afirmou que a empresa deverá estar entre as primeiras a desenvolver inteligência artificial geral, conhecida como AGI. Segundo ele, a Tesla poderá inclusive liderar essa tecnologia em aplicações físicas, como robôs humanoides capazes de manipular objetos no mundo real.
A declaração foi feita recentemente e se soma a uma série de previsões ambiciosas do executivo sobre inteligência artificial. Musk afirmou que a Tesla poderá desenvolver AGI por meio do programa de robôs humanoides Optimus.
A inteligência artificial geral é um conceito que descreve sistemas capazes de executar tarefas cognitivas de nível humano em diversas áreas, algo que ainda não foi alcançado pela indústria tecnológica.
Apesar da nova previsão, Musk já fez declarações semelhantes no passado. Em 2023, ele afirmou que os veículos da Tesla já possuíam uma espécie de “mente” e que a empresa havia descoberto alguns elementos da inteligência artificial geral.
No ano seguinte, o executivo declarou que a AGI surgiria até 2025. Após essa data passar sem que a tecnologia fosse alcançada, a previsão foi alterada para 2026. Mais recentemente, Musk afirmou que a humanidade já teria entrado na chamada “Singularidade tecnológica”, indicando que 2026 poderia marcar esse momento.
Críticos apontam que esse padrão de previsões segue um roteiro recorrente. O executivo anuncia prazos ambiciosos, os resultados não se concretizam e as previsões acabam sendo adiadas.
Situação semelhante ocorreu com as promessas de direção totalmente autônoma da Tesla. Em 2016, Musk declarou que todos os veículos da marca já possuíam hardware suficiente para operar de forma totalmente autônoma.
Entre 2019 e 2025, ele repetiu diversas vezes que a tecnologia estaria pronta até o final de cada ano. No entanto, a função completa nunca foi disponibilizada aos consumidores.
O projeto de robotáxi da empresa também permanece limitado. Em Austin, nos Estados Unidos, a frota experimental conta com cerca de 30 veículos. Muitos deles não operam continuamente e ainda exigem supervisores de segurança dentro dos carros.
Mesmo no campo de hardware para inteligência artificial, algumas promessas ainda não foram entregues. Em novembro de 2025, Musk destacou o desenvolvimento do oitavo chip de inteligência artificial da Tesla, embora a empresa ainda não tenha cumprido promessas relacionadas ao chip de terceira geração usado para direção autônoma.
Em janeiro de 2026, o executivo afirmou que o desenvolvimento do chip AI5 estava “quase concluído”. A declaração ocorreu cerca de seis meses após ele afirmar que o projeto já estava finalizado.
Enquanto Musk reforça a narrativa de inteligência artificial, o desempenho financeiro da Tesla tem apresentado sinais de desaceleração.
A empresa entregou 1,63 milhão de veículos em 2025, uma queda de 9% em comparação com 2024. Foi o segundo ano consecutivo de redução nas entregas globais.
A receita anual também recuou cerca de 3%, chegando a US$ 94,8 bilhões. Foi a primeira queda de faturamento anual registrada pela empresa.
Os lucros por ação caíram aproximadamente 33% no mesmo período. No primeiro trimestre de 2025, os lucros da Tesla recuaram 71%. No segundo trimestre, a queda foi de 23%.
Ao mesmo tempo, concorrentes seguem avançando. A BYD entregou 2,26 milhões de veículos elétricos em 2025, superando a Tesla e se tornando a maior fabricante mundial do segmento.
Na Europa, a participação de mercado da Tesla também diminuiu. As vendas caíram 48% na Alemanha e 40% na França. Na China, fabricantes locais continuam ampliando sua presença.
Mesmo com esse cenário, a Tesla mantém uma avaliação de mercado próxima de US$ 1,5 trilhão. Esse valor elevado está ligado à percepção de investidores de que a empresa não é apenas uma fabricante de automóveis, mas também uma companhia de inteligência artificial e robótica.
Outro ponto que gera questionamentos envolve a própria estratégia de Musk para desenvolvimento de inteligência artificial.
Nos últimos anos, ele fundou a empresa xAI, uma companhia privada dedicada ao desenvolvimento de inteligência artificial. Parte dos recursos e talentos de engenharia ligados ao setor foi direcionada para essa nova empresa.
Investidores da Tesla chegaram a processar Musk, alegando que ele teria utilizado recursos e reputação da fabricante para estruturar a xAI.
Segundo informações divulgadas anteriormente, a própria xAI informou a investidores que poderá desenvolver a inteligência artificial usada no robô Optimus da Tesla.
Caso isso aconteça, a tecnologia de inteligência artificial que sustenta a avaliação bilionária da Tesla poderá ser criada fora da própria empresa. Esse cenário levanta dúvidas adicionais sobre o papel real da montadora na corrida global pela inteligência artificial.

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