Bateria de estado sólido promete carga de moto elétrica em 12 minutos

A startup finlandesa Donut Lab divulgou os primeiros resultados de testes de carregamento de um pacote completo de baterias de estado sólido. O experimento foi realizado em uma motocicleta elétrica Verge TS Pro e mostrou que o conjunto de 18 kWh manteve potência superior a 100 kW durante cinco minutos consecutivos.

Segundo a empresa, o resultado representa a primeira demonstração da tecnologia em um pacote completo de bateria instalado em um veículo real, e não apenas em células individuais.

Durante o teste, o pacote de 18 kWh começou o carregamento a cerca de 20°C. A bateria foi recarregada de 10% para 50% em cinco minutos. O nível chegou a 70% em pouco mais de nove minutos e alcançou 80% em 12 minutos. Todo o processo ocorreu com sistema de resfriamento a ar, sem o uso de resfriamento líquido.

A Donut Lab afirma que a tecnologia permite recarga três vezes mais rápida que a bateria de íons de lítio usada anteriormente na motocicleta da Verge. O carregamento sustentado de 100 kW com taxa de cinco vezes a capacidade da bateria é considerado significativo para um conjunto de baterias de motocicleta com resfriamento a ar.

Para comparação, muitos carros elétricos utilizam pacotes de baterias quatro a cinco vezes maiores e dependem de sistemas de resfriamento líquido para manter taxas de carregamento semelhantes sem perda de desempenho térmico.

O diretor de tecnologia da Donut Lab, Ville Piippo, afirmou que o teste comprova o funcionamento conjunto de várias células de bateria em um ambiente real de veículo. Segundo ele, a alta densidade de energia também permite maior flexibilidade no projeto dos pacotes de baterias.

O diretor executivo da Verge Motorcycles, Tuomo Lehtimäki, afirmou que o resultado aproxima a empresa do objetivo de desenvolver a motocicleta com carregamento mais rápido do mundo.

A empresa também confirmou que uma versão de maior autonomia da bateria deverá oferecer cerca de dois terços a mais de capacidade energética. O pacote ampliado teria aproximadamente 30 kWh e poderia proporcionar até cerca de 595 km de autonomia na TS Pro, segundo estimativas divulgadas anteriormente pela fabricante.

Tecnologia cercada por dúvidas

A Donut Lab tornou-se uma das empresas mais controversas do setor de baterias desde que apresentou uma célula de estado sólido com densidade de 400 Wh/kg durante a feira CES 2026. Na ocasião, a empresa também afirmou que a tecnologia poderia suportar 100.000 ciclos de carga e recarga e permitir carregamento completo em cinco minutos.

Especialistas reagiram com forte ceticismo. A pesquisadora Shirley Meng, professora de engenharia molecular da University of Chicago, visitou o estande da empresa e declarou que não havia demonstrações práticas da tecnologia. Já Yang Hongxin, diretor executivo da fabricante chinesa de baterias Svolt, afirmou que os parâmetros apresentados eram contraditórios.

Desde então, a empresa tenta reforçar sua credibilidade. O centro de pesquisa VTT Technical Research Centre of Finland realizou testes independentes em nível de célula e indicou que a bateria manteve 107% da capacidade nominal após várias horas exposta a 100°C.

A Donut Lab também lançou uma campanha de transparência chamada “I Donut Believe”, voltada a responder diretamente às dúvidas do setor.

Corrida global por baterias de estado sólido

O avanço ocorre em meio à intensificação da disputa global por baterias de estado sólido. Empresas e fabricantes de automóveis aceleraram o desenvolvimento da tecnologia no início de 2026.

A fabricante chinesa CATL apresentou novos registros de patentes ligados à tecnologia antes da entrada em vigor do primeiro padrão nacional chinês para baterias de estado sólido ainda em 2026.

A montadora Changan pretende colocar veículos com baterias de estado sólido de 400 Wh/kg nas ruas antes do final do terceiro trimestre de 2026. Já a Factorial Energy abriu capital após divulgar um teste real com autonomia de 745 milhas, cerca de 1.199 km.

Outra empresa do setor, a ION Storage Systems, tornou-se recentemente a primeira companhia dos Estados Unidos a homologar uma célula de estado sólido com um cliente industrial.

Apesar da corrida tecnológica, a maioria das empresas prevê produção em escala significativa apenas entre 2027 e 2030.

Se a Donut Lab realmente conseguir iniciar a produção de baterias para a motocicleta Verge TS Pro ainda no primeiro trimestre de 2026, como afirmam as duas empresas, o projeto poderá representar um marco para o mercado ocidental.

Por outro lado, a promessa também pode se tornar um risco. A Donut Lab afirma já estar em fase de produção, algo que nenhuma outra empresa do setor conseguiu comprovar plenamente até agora. O sucesso da tecnologia poderá transformá-la em pioneira ou expor uma das maiores promessas não cumpridas da indústria de baterias.

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