A Volvo iniciou um recall global envolvendo o EX30, seu SUV compacto elétrico, após identificar riscos de segurança relacionados a baterias de alta tensão fornecidas pela chinesa Sunwoda Electronic. A medida ocorre em meio a um crescente impasse entre empresas do grupo Geely, controlador da montadora sueca, e o fabricante das células.
Segundo informações do site especializado Hypermiler, 10.440 unidades do Volvo EX30 no Reino Unido estão entre os veículos afetados. O problema faz parte de um lote maior, que soma 33.777 veículos produzidos com células da Sunwoda. De acordo com dados preliminares, cerca de 0,02% dessas células apresentaram superaquecimento.
O caso ganhou maior repercussão após um Volvo EX30 pegar fogo em uma concessionária em Maceió, em novembro de 2025. O incêndio destruiu completamente o veículo e exigiu a atuação de 11 bombeiros e quatro caminhões para controlar as chamas, levantando alertas adicionais sobre a gravidade do problema.
Como medida emergencial, a Volvo passou a orientar proprietários em mercados como Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e África do Sul a limitar o carregamento das baterias a 70% da capacidade. A recomendação é temporária e visa reduzir o risco de incêndio enquanto o plano definitivo de recall é estruturado.
Na África do Sul, a Comissão Nacional do Consumidor já confirmou um recall oficial envolvendo 372 unidades do Volvo EX30, abrangendo modelos dos anos 2024 a 2026, tanto nas versões de motor único de longo alcance quanto nas configurações de dois motores com foco em desempenho. Segundo a Volvo local, o defeito pode provocar superaquecimento da bateria em níveis elevados de carga, com risco de fuga térmica e incêndio.
A crise se aprofunda com a disputa judicial dentro do próprio grupo Geely. Em 26 de dezembro de 2025, a Viridi E-Mobility Technology, subsidiária responsável pelos sistemas de baterias, entrou com uma ação contra a Sunwoda pedindo 2,31 bilhões de yuans, cerca de 323 milhões de dólares, por supostos defeitos em células fornecidas entre junho de 2021 e dezembro de 2023.
Outras marcas do grupo também foram impactadas. A Zeekr, por exemplo, enfrentou reclamações de clientes do Zeekr 001 WE86, que utilizava células da Sunwoda. Os relatos incluíam redução na velocidade de carregamento e leituras incorretas de autonomia. A marca lançou uma campanha de inverno com inspeções e substituições gratuitas de baterias, iniciativa que teria custado mais de 1 bilhão de yuans, cerca de 140 milhões de dólares.
Reconhecida historicamente pelo foco em segurança, a Volvo agora enfrenta um desafio relevante para sua reputação. A limitação temporária de carregamento reduz a autonomia real dos veículos, o que tem gerado frustração entre consumidores que pagaram pelo desempenho completo do modelo.
Apesar de a Volvo afirmar que o número de incidentes registrados é baixo e que o risco é raro, a preocupação entre os proprietários permanece.
O episódio ocorre em um momento de forte crescimento do grupo Geely. Segundo o jornal chinês Security Times, o conglomerado vendeu 4.116.321 veículos em 2025, alta de 26% na comparação anual. Os veículos de nova energia responderam por 2.293.099 unidades, avanço de 58%, representando 56% do total vendido.
A Volvo, por sua vez, registrou 710.042 veículos comercializados em 2025, sendo 323.294 modelos eletrificados, o equivalente a 46% de suas vendas globais.

0 Comentários