O valor da marca Tesla sofreu um forte tombo em 2025 e acendeu um sinal de alerta para a fabricante de veículos elétricos. Segundo um novo estudo da consultoria Brand Finance, a marca perdeu 15,4 bilhões de dólares no último ano, acumulando a terceira queda consecutiva e atingindo o menor patamar desde 2022.
De acordo com o ranking Global 500 de 2026 da Brand Finance, o valor da marca Tesla caiu para 27,61 bilhões de dólares. O número representa menos da metade do pico registrado em janeiro de 2023, quando a empresa era avaliada em 66,2 bilhões de dólares.
A trajetória recente evidencia a perda acelerada de relevância. Em 2024, a marca já havia recuado 12%, para 58,3 bilhões de dólares. Em 2025, a queda foi ainda mais acentuada, de 26%, chegando a 43 bilhões de dólares. Agora, em 2026, o recuo adicional de 36% consolida o enfraquecimento da imagem da empresa.
O estudo analisou dados financeiros, contratos de licenciamento e pesquisas com consumidores em 18 países. Os resultados apontam queda significativa nos índices de reputação, recomendação, confiança e apelo emocional da Tesla, especialmente na Europa e no Canadá.
Nos Estados Unidos, o impacto é ainda mais evidente. A nota de recomendação da marca despencou para apenas 4,0 em uma escala de zero a dez. Pouco mais de dois anos atrás, esse índice era de 8,2, quando a Tesla ainda liderava com folga o mercado de veículos elétricos.
Enquanto a Tesla perde valor, concorrentes seguem caminho oposto. A chinesa BYD registrou alta de 23% no valor de sua marca, alcançando 17,29 bilhões de dólares. Atualmente, cinco fabricantes superam a Tesla nesse quesito: Toyota, Mercedes-Benz, Volkswagen, Porsche e BMW.
Segundo David Haigh, CEO da Brand Finance, três fatores explicam a queda. O primeiro é a falta de lançamentos realmente inovadores. O segundo é o preço elevado dos veículos da Tesla em comparação com rivais diretos. O terceiro envolve a exposição política do CEO Elon Musk, vista como excessiva e distante do foco automotivo.
A percepção negativa se intensificou ao longo de 2025, impulsionada pelas posições políticas de Musk e por sua atuação em temas geopolíticos. Esse comportamento gerou rejeição entre consumidores e afetou diretamente a imagem da marca, especialmente fora dos Estados Unidos.
Apesar do cenário desfavorável, há um dado que destoa. A taxa de fidelidade da Tesla subiu de 90% para 92% em 2025. Isso indica que clientes atuais seguem satisfeitos com seus veículos. O desafio, no entanto, está em conquistar novos compradores.
O contraste fica ainda mais evidente no mercado financeiro. Mesmo com queda nas entregas no quarto trimestre e no acumulado do ano, as ações da Tesla subiram 11% em 2025, impulsionadas por expectativas ligadas a projetos futuros, como robotáxis.
Esse descompasso entre o valor de mercado e a saúde da marca começa a gerar efeitos colaterais. Concessionárias relatam queda na procura por veículos usados da Tesla, reflexo direto da perda de prestígio junto ao público. A distância entre a percepção do consumidor e o otimismo de Wall Street nunca foi tão grande.

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