A Tesla encerrou 2025 longe do desempenho esperado. Pela primeira vez em sua história, a fabricante de veículos elétricos registrou um lucro anual menor do que o do ano anterior, evidenciando um momento de forte pressão sobre o principal negócio da empresa, a venda de automóveis.
O lucro total da Tesla em 2025 foi de €3,24 bilhões, uma queda de 46% em relação a 2024. A margem de lucro recuou para apenas 4,9%, muito abaixo dos 23,8% registrados em 2022. Os números mostram uma empresa que perdeu rentabilidade rapidamente, mesmo mantendo receitas elevadas.
Um dado chama ainda mais atenção no balanço financeiro. Mais da metade do lucro não veio da venda de veículos. A Tesla arrecadou cerca de €2 bilhões com créditos regulatórios, comercializados com outras montadoras para o cumprimento de normas ambientais. Isso representa 52% do lucro total do ano.
O problema é que essa fonte de receita não deve se repetir. Os créditos regulatórios foram cancelados pela atual administração e não farão mais parte do modelo de negócios da empresa em 2026, o que agrava o cenário financeiro.
As vendas de veículos também recuaram. A Tesla entregou 1.636.129 carros em 2025, aproximadamente 9% a menos do que no ano anterior. O quarto trimestre foi especialmente difícil, com queda de 16% nas vendas em comparação com o mesmo período de 2024. A receita com automóveis caiu 10% e somou €59,33 bilhões no ano.
A empresa enfrenta pressão crescente da concorrência e mudanças no ambiente regulatório. A aprovação do chamado One Big Beautiful Bill Act, em 4 de julho, encerrou o crédito fiscal de €6.400 que ajudava a tornar os carros da marca mais acessíveis, encarecendo os modelos para o consumidor comum.
Em meio a esse cenário, o CEO Elon Musk anunciou o fim da produção do Model S e do Model X. Lançado em 2012, o Model S foi o carro que consolidou a Tesla no mercado global, enquanto o Model X se destacou como um dos primeiros SUVs totalmente elétricos. Ambos, porém, passaram a vender menos do que os mais populares Model 3 e Model Y.
Segundo Musk, a fábrica de Fremont, na Califórnia, onde esses modelos são produzidos, será redirecionada para outro projeto estratégico. O espaço deve ser usado para a produção de robôs humanoides, com uma meta ambiciosa de até 1 milhão de unidades por ano.
Nem tudo foi negativo em 2025. O negócio de armazenamento de energia, que inclui grandes baterias para residências e redes elétricas, cresceu 27% e gerou €10,84 bilhões em receita. A divisão de serviços também avançou 19%, alcançando €10,67 bilhões. Esses segmentos ganham importância à medida que as vendas de carros desaceleram.
Durante a apresentação de resultados, Musk tentou manter o otimismo dos investidores. Ele voltou a falar sobre robôs, inteligência artificial e prometeu para 2026 o lançamento do Cybercab, um táxi autônomo de dois lugares. Também citou o caminhão Tesla Semi e uma nova versão do Roadster, que pode ser apresentada em abril.
Ainda assim, há preocupações sobre a alocação de recursos. A Tesla investiu €2 bilhões na xAI, empresa de inteligência artificial controlada por Musk, cujo principal produto, o Grok, ficou conhecido recentemente pelo uso avançado de tecnologia de deepfake.
A empresa também anunciou mudanças no pacote de assistência à condução. O sistema de direção totalmente autônoma passa a ser oferecido apenas por assinatura, ao custo de €85 por mês, enquanto o Autopilot deixa de ser item padrão. Musk afirma que a segurança continua sendo prioridade absoluta.
Mesmo com resultados fracos, os acionistas aprovaram um pacote de remuneração que pode tornar Musk trilionário caso o valor de mercado da Tesla atinja €2 trilhões. No curto prazo, porém, a empresa precisa decidir se conseguirá voltar a crescer com a venda de veículos elétricos ou se dependerá cada vez mais de energia, serviços, inteligência artificial e robótica.
Com a saída definitiva do Model S e do Model X, a Tesla dá mais um passo no afastamento do modelo tradicional de venda de carros ao público. O futuro apontado pela empresa envolve menos propriedade individual e mais serviços, robôs e sistemas autônomos. Para investidores, a aposta é promissora. Para trabalhadores e consumidores, o desafio será acompanhar a velocidade dessa transformação.

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