A Tesla começou a instalar discretamente uma nova geração de computador para direção totalmente autônoma em seus veículos. Proprietários recém-entregues do Model Y fabricado em Fremont descobriram que seus carros já saem de fábrica com o chamado Hardware 4.5, ou AI4.5, segundo a nomenclatura interna da montadora.
A novidade foi identificada por clientes que receberam seus veículos no fim de dezembro e ao longo de janeiro. Ao verificar os componentes, eles encontraram um módulo identificado como AP4.5 ou AP45, associado ao número de peça 2261336-02-A, já listado anteriormente no catálogo eletrônico de peças da Tesla como um novo computador para direção totalmente autônoma.
Como é comum na empresa, a mudança não foi anunciada oficialmente.
Uma das primeiras confirmações públicas veio de um proprietário do Model Y AWD Premium ano-modelo 2026, que relatou nas redes sociais que seu veículo inclui o novo computador AP45 e um conjunto revisado de câmeras frontais. O número da peça foi confirmado após a remoção parcial do acabamento abaixo do porta-luvas, local onde fica instalado o computador de direção totalmente autônoma.
Outros donos de Model Y rapidamente relataram descobertas semelhantes, chamando a atenção da comunidade especializada em analisar softwares e hardwares da Tesla.
Segundo análises de firmware feitas por especialistas independentes, o Hardware 4.5 pode trazer uma mudança relevante na arquitetura interna. Diferentemente do Hardware 4 atual, que utiliza dois sistemas em chip, a nova versão pode adotar um conjunto com três sistemas em chip.
Se confirmada, essa arquitetura traria benefícios importantes. O primeiro seria maior poder de processamento, permitindo rodar redes neurais mais complexas. O segundo seria o aumento da redundância e da segurança, com mais um processador para validação dos dados. O terceiro ponto seria servir como uma ponte tecnológica até a chegada do futuro Hardware 5.
A estratégia lembra a transição silenciosa feita pela Tesla anos atrás, quando passou do Hardware 2.0 para o Hardware 2.5, melhorando a confiabilidade sem grande divulgação. Naquela época, a empresa chegou a oferecer atualizações gratuitas para clientes que haviam adquirido o pacote de direção totalmente autônoma.
Além do novo computador, vários Model Y equipados com o Hardware 4.5 também trazem a nova tela central de 16 polegadas e um alojamento revisado para as câmeras do para-brisa. Esses itens fazem parte de uma atualização discreta aplicada aos modelos premium do ano-modelo 2026.
O momento do lançamento do AI4.5 não é por acaso. A Tesla vem prometendo há mais de um ano a chegada do chip AI5, que, segundo Elon Musk, teria dez vezes mais capacidade de processamento. Inicialmente previsto para entrar em uso no segundo semestre de 2025, o chip foi adiado para meados de 2027, com poucas unidades previstas para o fim de 2026.
Esse atraso criou um intervalo significativo entre a necessidade de mais capacidade computacional e a chegada do AI5 em escala. O Hardware 4.5 surge como uma solução intermediária para evitar que os veículos atuais se tornem rapidamente defasados.
A adoção de uma versão intermediária também levanta dúvidas entre consumidores. Elon Musk afirma repetidamente que o Hardware 4 será suficiente para a direção totalmente autônoma sem supervisão, quando essa tecnologia estiver pronta. Declarações semelhantes foram feitas no passado sobre o Hardware 3, que acabou não atendendo a essas promessas.
Com redes neurais cada vez maiores e mais exigentes em memória e processamento, cresce a incerteza sobre a longevidade do Hardware 4. A Tesla já reconheceu que veículos com Hardware 3 precisarão de substituição do computador, mas ainda não apresentou um plano claro para isso.
A chegada do Hardware 4.5 reacende o debate sobre possíveis limitações futuras dos veículos atuais e reforça um histórico da marca de prometer que seus carros possuem todo o hardware necessário para a direção autônoma, apenas para lançar novas gerações mais potentes antes de cumprir essas promessas.
Enquanto isso, a Tesla segue ajustando sua estratégia de hardware em silêncio, em meio à pressão crescente para transformar a direção totalmente autônoma em uma realidade concreta.


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