As chinesas CATL e BYD já dominam o mercado global de baterias para veículos elétricos e não pretendem perder essa vantagem. Juntas, as duas empresas responderam por mais de 50% das vendas mundiais de baterias no último ano. Agora, com novas tecnologias previstas para 2026, o foco está nas baterias de íon-sódio como alternativa ao lítio.
O movimento é uma resposta direta à forte alta dos preços do lítio. No início deste ano, o carbonato de lítio chegou a 170.000 yuans por tonelada, contra cerca de 50.000 yuans em 2021, pressionando custos em toda a cadeia automotiva.
A CATL apresentou sua primeira bateria de íon-sódio, batizada de Naxtra, durante o Tech Day realizado em abril do ano passado. A empresa classificou o produto como a primeira bateria de sódio do mundo pronta para produção em massa voltada a veículos comerciais.
No início deste mês, o diretor de tecnologia da CATL, Gao Huan, confirmou que a fabricante começará a instalar esse tipo de bateria também em veículos de passeio a partir do segundo trimestre de 2026. O primeiro modelo a receber a novidade será o AION Y Plus.
Segundo o portal chinês Cailian Press, os primeiros veículos de passeio equipados com baterias de íon-sódio da CATL já estão se preparando para testes públicos de inverno. O objetivo é validar o desempenho em condições extremas de frio.
A bateria de 45 kWh foi projetada inicialmente para caminhões leves, vans e veículos de pequeno porte. Mesmo em temperaturas de até -30°C, os veículos conseguem recarregar, subir rampas e operar com carga total. Em testes a -40°C, a bateria manteve 90% da capacidade utilizável, enquanto baterias de lítio costumam ficar em torno de 80% nessas condições.
De acordo com Gao Huan, a meta da CATL é alcançar, nos próximos três anos, densidade energética equivalente à das baterias de fosfato de ferro-lítio, substituindo parte do mercado de lítio em aplicações específicas. A empresa afirma que a tecnologia de sódio também é mais segura em recargas ultrarrápidas do tipo 5C.
Durante o Tech Day, a CATL revelou que suas novas células de sódio já atingem densidade energética de 175 Wh/kg, patamar comparável ao limite superior das baterias de fosfato de ferro-lítio atuais.
A BYD segue um caminho semelhante. A montadora iniciou, no começo de 2024, a construção de sua primeira fábrica de baterias de íon-sódio, com investimento de 10 bilhões de yuans e capacidade anual planejada de 30 GWh. Outras empresas chinesas, como EVE Energy e Ronbay Technology, também passaram a investir nessa química alternativa.
O mercado já começa a reagir. No último ano, os embarques globais de baterias de íon-sódio alcançaram 9 GWh, crescimento de 150% em relação a 2024. A expectativa do setor é que esse volume ultrapasse 1.000 GWh até 2030.
Com custos menores, melhor desempenho em baixas temperaturas e avanços rápidos em densidade energética, as baterias de íon-sódio despontam como uma das principais apostas da indústria chinesa para manter a liderança global no fornecimento de tecnologia para veículos elétricos nos próximos anos.

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