A montadora chinesa XPeng enfrenta acusações de fraude contra consumidores após relatos de que removeu radares de ondas milimétricas de algumas unidades do XPeng G6 sem informar os compradores. As denúncias foram reveladas em investigação conduzida pelo veículo estatal Economic Information.
O caso veio à tona após uma proprietária em Pequim descobrir, durante um reparo em seu veículo, que seu XPeng G6 2023 não possuía dois radares dianteiros de canto que haviam sido anunciados como parte do sistema avançado de assistência ao motorista. Segundo a cliente, identificada como Deng, a XPeng divulgou o modelo com “31 sensores de condução inteligente” e um conjunto de percepção com “visão ampla” do ambiente.
Ao questionar a empresa em fevereiro de 2025, Deng foi informada de que a montadora havia adotado uma “simplificação de hardware sem simplificação de funções”, substituindo os radares por uma solução de visão computacional chamada “AI Eagle Eye”. Pouco depois, a proprietária afirma ter observado uma alteração silenciosa no manual eletrônico disponível no aplicativo da marca, reduzindo a quantidade informada de radares de ondas milimétricas de cinco para três.
O problema parece ter alcance amplo. Pelo menos 159 proprietários assinaram uma carta coletiva de protesto relatando situações semelhantes, muitos deles descobrindo a ausência dos componentes apenas durante revisões ou manutenções.
Em resposta ao Economic Information, a XPeng reconheceu que “cancelou o uso dos radares dianteiros de canto” após a migração para uma solução de condução assistida baseada em visão pura. A empresa afirmou que as mudanças de configuração teriam sido comunicadas em seus canais oficiais e negou qualquer intenção de enganar consumidores.
Os proprietários afetados contestam a justificativa. Eles relatam piora perceptível no desempenho do sistema em condições adversas, como condução noturna, túneis, neve, chuva e cenários com forte contraluz. Entre as queixas, estão frenagens inesperadas em rodovias, falhas na medição de distância e dificuldade de operação em áreas de obras ou ao lado de veículos de grande porte.
Especialistas do setor ouvidos pela publicação destacam que, apesar do debate técnico entre abordagens baseadas apenas em visão e soluções híbridas, a maioria das montadoras mantém redundância de sensores por questões de segurança. Juristas consultados afirmam que a conduta da XPeng pode se enquadrar como prática de venda fraudulenta segundo o Artigo 55 da Lei de Proteção aos Direitos do Consumidor da China, por suposta omissão de informações relevantes que influenciam a decisão de compra.
O episódio ocorre após outra controvérsia envolvendo a marca. Em ocasião anterior, o Economic Information revelou que a XPeng estaria substituindo peças defeituosas do modelo P7+ sem emitir recall oficial, o que posteriormente resultou no chamamento de cerca de 48.000 veículos.

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