A Ford registrou em novembro uma forte retração nas vendas de veículos elétricos nos Estados Unidos após o fim do crédito federal de US$ 7.500: a queda foi de 60,8%, para 4.247 unidades. O F-150 Lightning segue com produção suspensa e pode até ser descontinuado.
No total, a marca vendeu 166.373 veículos no país, queda de 0,9% sobre novembro de 2024. Os híbridos avançaram 13,6% (para 16.301), mas os elétricos perderam fôlego. O Mustang Mach-E recuou 49% (para 3.014), o F-150 Lightning despencou 72% (para 1.006) e a van elétrica E-Transit caiu 82% (para 227).
A paralisação do F-150 Lightning foi mantida após um incêndio na planta da Novelis, em Nova York, que afetou o fornecimento de alumínio. A Ford indicou foco em modelos a combustão e híbridos, menos intensivos nesse material.
No financeiro, a divisão de elétricos Model e somou US$ 1,4 bilhão de prejuízo no terceiro trimestre, totalizando US$ 3,6 bilhões até setembro. Aproximadamente US$ 3 bilhões vieram dos modelos atuais (Mach-E e Lightning) e cerca de US$ 600 milhões foram destinados à próxima geração de veículos elétricos, prometida como mais eficiente e barata.
A estratégia passa por migrar de picapes e SUVs grandes para produtos médios, com a nova Ford Universal EV Platform. O primeiro será uma picape elétrica média prevista para 2027, com preço inicial em torno de US$ 30.000. Segundo o CEO Jim Farley, elétricos mais acessíveis “não são plano distante”, estão “logo ali” no portfólio.
O recuo não foi exclusivo da Ford: diversas montadoras venderam menos veículos elétricos em novembro, após o fim do incentivo. Hyundai, Kia, Honda e Toyota também reportaram recuos, num movimento que, segundo o setor, reflete demanda antecipada pelo crédito e um período de ajuste do mercado nos próximos meses.

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