O peso sempre foi o inimigo nº 1 do veículo elétrico. Baterias grandes, múltiplos motores e sistemas de arrefecimento somam quilos — e exigem mais bateria para manter a autonomia, num ciclo vicioso. A britânica Yasa quer quebrá-lo: apresentou um motor elétrico de fluxo axial que pesa só 12,7 kg e entregou pico de 750 kW (≈ 1.005 hp) no dinamômetro.
Segundo comunicado da empresa (em inglês), o protótipo estabelece um recorde informal de densidade de potência: 59 kW/kg. Ele supera o antigo “número 1” da própria Yasa — 13,1 kg e 550 kW (737 hp) — com um salto de 40%.
Para efeito de comparação: o motor traseiro de um Tesla Model Y gira em torno de 200 kW (268 hp); o novo Yasa é quase 4 vezes mais potente. Um Model 3 Performance, com dois motores, totaliza 460 kW — ainda menos que o compacto motor axial da Yasa.
No mundo real, importa o poder contínuo, não só o pico de alguns segundos. Aqui, a Yasa afirma 350–400 kW (469–536 hp) de forma sustentada — mais que o pico de muitos elétricos esportivos atuais.
O benefício principal não é só arrancar mais forte: menos massa no(s) motor(es) permite carros mais leves. Isso abre espaço para baterias menores e mais baratas, com recargas mais rápidas e eficiência superior — mantendo a mesma autonomia de rivais mais pesados.
A Yasa diz que o motor está pronto para produção em escala, sem materiais exóticos. O CEO Joerg Miska afirma que a solução é escalável e oferece três vezes a densidade de desempenho dos motores radiais líderes de mercado. Como ocorre com toda tecnologia nova, a estreia deve vir no topo: a Yasa já equipa híbridos como Ferrari 296 GTB e Lamborghini Temerario, e um futuro Mercedes-AMG elétrico usará três motores Yasa para somar mais de 1.000 kW (1.360 hp).
À medida que custos caírem e a produção crescer, a engenharia leve que faz uma Ferrari ser mais rápida tende a tornar seu elétrico diário mais eficiente — com menos bateria e mais autonomia por quilo.

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