O polêmico retorno do esportivo Tesla Roadster

A Tesla se prepara para revelar a nova versão do seu aguardado carro esportivo no dia 1 de outubro, no Texas. Após nove anos de espera desde a primeira apresentação, o veículo elétrico promete retornar aos palcos. As mudanças no projeto original, contudo, estão gerando desconfiança entre os fãs e o mercado automotivo.


O modelo conceitual exibido em 2017 encantou o público com linhas clássicas e proporções elegantes. A promessa era de um carro com quatro lugares, grande autonomia e uma aceleração de zero a 97 km/h (quilômetros por hora) em menos de 2 segundos. No entanto, as campanhas publicitárias recentes mostram um foco bem diferente.

As imagens mais recentes sugerem que a empresa pretende incluir propulsores de gás frio, uma tecnologia emprestada da SpaceX. Na prática, esse sistema oferece poucos jatos rápidos de ar comprimido antes que os tanques esvaziem. Além disso, o ruído é tão alto que os espectadores precisariam ficar a centenas de metros de distância, o que torna o recurso inviável para o uso diário nas ruas.

Relatos apontam que o veículo de demonstração não pode sequer levar um motorista humano em segurança, precisando ser controlado remotamente. O próprio presidente da empresa admitiu que a aceleração tradicional se tornou a parte menos interessante do pacote. Transformar um carro de alto desempenho em algo complexo e perigoso demais para as vias públicas afasta o modelo da sua proposta original.


Outra preocupação crescente envolve o visual do carro. A fabricante parece disposta a abandonar as curvas suaves do projeto inicial para adotar o estilo geométrico e de aço inoxidável visto em seus lançamentos mais recentes. Trocar um desenho elogiado mundialmente por linhas retas e futuristas extremas é visto por muitos como um erro criativo.

Enquanto o projeto da Tesla ficou no papel por quase uma década, outras montadoras avançaram e lançaram superesportivos reais. Concorrentes europeus já entregam veículos elétricos que ultrapassam os 1900 cavalos de potência e atingem 97 km/h em menos de 2 segundos. Tudo isso com aerodinâmica inteligente, ar-condicionado funcional e sem a necessidade de tanques de ar comprimido.

Os atrasos constantes se tornaram uma frustração. A previsão inicial de entrega era para o ano de 2020. Depois, o prazo foi adiado sucessivamente até chegar a uma estimativa entre 2027 e 2028. Como resultado, muitos clientes que fizeram reservas antecipadas acabaram cancelando seus pedidos, cansados de esperar pelo produto e de manter depósitos retidos pela marca.

Especialistas de mercado apontam que o evento de outubro pode ser uma estratégia para atrair atenção e valorizar as ações da empresa, além de fortalecer a narrativa de uma possível fusão com a SpaceX. Apresentar um esportivo equipado com foguetes cria grande repercussão na mídia, mesmo que o modelo esteja longe das linhas de montagem.

O que os entusiastas realmente desejavam era o carro revelado originalmente. A expectativa era de um veículo atualizado com um motor moderno e uma grande bateria de 200 kWh (quilowatt-hora), capaz de percorrer 966 quilômetros com uma única carga. Para um esportivo dessa categoria, os 200 kWh garantiriam domínio total nas pistas.

Se a apresentação entregar apenas um protótipo focado em truques que flutua a 5 centímetros do chão por controle remoto, o mundo automotivo provavelmente perderá o interesse e seguirá em frente.

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