A BMW chamou atenção nas 24 Horas de Le Mans ao revelar o M Concept Neue Klasse, um estudo que adianta a direção de design dos próximos modelos de alto desempenho da marca. Na prática, o conceito funciona como uma prévia muito próxima do futuro M3 elétrico, que pode chegar às lojas com o nome i3M.
A estreia foi pensada para tranquilizar os fãs mais tradicionais da divisão M. Para isso, a BMW posou o protótipo vermelho ao lado de um clássico E30 M3, numa tentativa clara de ligar o passado analógico dos anos 1980 ao novo universo dos veículos elétricos de alta performance. A mensagem da marca é direta: mesmo com a eletrificação, a proposta esportiva continua no centro do projeto.
Visualmente, o conceito mantém a área envidraçada e a linha do teto do i3 sedã, mas tudo ao redor foi redesenhado para reforçar o foco em pista. Os para-lamas ficaram mais largos, os para-choques ganharam entradas de ar maiores e a dianteira adota blocos de luz em formato de cubo, que a BMW chama de “track lights”. Na traseira, um spoiler tipo ducktail ajuda no fluxo de ar.
O acabamento também chama atenção. A carroceria recebeu pintura Monza Red metálica, combinada com peças aerodinâmicas escuras. Splitter dianteiro, saias laterais, difusor traseiro, tomada de ar do capô e parte do teto foram feitos com material de fibra natural aparente. O carro ainda usa rodas com fixação central, suspensão rebaixada e cambagem acentuada, reforçando o apelo de competição.
Por dentro, a BMW manteve a base do i3, com a grande tela Panoramic iDrive na parte inferior do para-brisa, mas transformou a cabine em um ambiente quase de corrida. São quatro bancos individuais tipo concha, cintos de segurança de cinco pontos e uma estrutura de proteção interna revestida em couro Nubuck escuro. O volante e os painéis de porta seguem a mesma proposta refinada e esportiva.
O principal destaque mecânico é o novo sistema BMW M eDrive, com quatro motores e eletrônica de sexta geração da família Neue Klasse. A marca não divulgou a potência oficial, mas a estimativa aponta algo entre 710 e 1.014 cavalos métricos (PS), o que equivale a cerca de 522 a 746 kW. Em testes iniciais de desenvolvimento em 2025, a tecnologia chegou a registrar impressionantes 17.990 Nm de torque nas rodas.
Esse conjunto é administrado por um sistema eletrônico chamado Controle Dinâmico de Performance BMW M, integrado ao que os engenheiros apelidaram de “Coração da Alegria”. A função é distribuir força e frenagem de forma independente para cada roda, com promessa de resposta mais rápida e precisão maior nas curvas.
A bateria também faz parte da estratégia. O conjunto terá capacidade acima de 100 kWh, arquitetura de 800V para recargas mais rápidas e células cilíndricas mais avançadas. Segundo a BMW, a fixação da bateria à estrutura contribui para aumentar a rigidez do carro.
Mesmo assim, a marca não vai abandonar os compradores que ainda preferem motor a combustão. A ideia é vender o novo M3 em uma estratégia de múltiplas motorizações. Quando a versão de produção estrear, por volta de 2027, ela deve dividir espaço com um sucessor a gasolina de seis cilindros, com sistema híbrido leve.
O presidente da BMW M, Franciscus van Meel, afirmou que a marca seguirá levando soluções do automobilismo para os carros de rua, mesmo na era dos veículos elétricos. Na prática, a BMW prepara uma nova fase para o M3, em que o topo da linha deve ser elétrico, enquanto o modelo a combustão continuará como opção para quem ainda não quer fazer a transição.




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